Os consumidores brasileiros que já se habituaram a comprar produtos têxteis com etiquetas da China, estão cada vez mais perto de vestir roupas feitas no Vietnã, Camboja, Indonésia ou Bangladesh.
As indústrias têxteis estão mergulhando mais fundo na relação com países asiáticos. Ancoradas na continuidade da relação cambial favorável às importações, elas prevêem incremento de compras de produtos acabados, semi-acabados e de matérias-primas desses países, além de iniciar a prospecção de novos fornecedores na Ásia, além da China. As buscas começam a envolver Paquistão e Índia, e chegam ao Vietnã, Camboja, Indonésia e Bangladesh, para compras que em boa parte só se efetivarão entre 2009 e 2011.
De acordo com Ulrich Kuhn, diretor de exportação da Hering, entre 5% e 6% do faturamento total da companhia em 2008 será proveniente de produtos prontos comprados da China. O percentual é praticamente o dobro do ano passado, que segundo ele, ficou próximo a 3%. Kuhn diz que o aprofundamento da relação com a Ásia é um processo inexorável. "À medida que o varejo brasileiro busca direto na Ásia, você cria um novo referencial de preço e o teu produto tem de estar adequado a esse patamar sob pena de perder a relação com o varejo. À medida que grandes redes de varejo estão indo à Ásia, você tem de seguir."
Além da relação estreita já estabelecida na China, país que a Hering começou a estudar como fornecedor entre 2003 e 2004, a empresa agora prospecta outros países asiáticos, como o Vietnã, para compra de produtos que chegariam entre 2010 e 2011. A intenção é diversificar os fornecedores, até para fugir da pressão de preços. "A China tem tido aumentos gradativos de preço, a região sul do país está ficando mais industrializada e os salários subindo."
A busca de produtos na Ásia pelo setor, que há quatro anos envolvia mais os artigos feitos de fios sintéticos ou composições de sintético, como jaquetas de microfibra, entrou em roupas de tricô, avançou para toalhas e roupões, além de fios de algodão, aviamentos, corantes. Agora é a vez das peças para reposição em máquinas do parque fabril.
Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Vestuário (Abit), de janeiro a abril deste ano, mostram o avanço das importações. O déficit na balança comercial do setor foi de US$ 650,3 milhões contra um déficit de US$ 277,7 milhões de janeiro a abril de 2007. Na avaliação de Kuhn, que também é presidente do Sindicato das Indústrias Têxteis do Vale do Itajaí (Sintex) e consultor da Abit, o setor chegará ao fim do ano com déficit de US$ 2 bilhões, mais que o dobro do valor de 2007, de cerca de US$ 600 milhões.
Os produtos adquiridos na Ásia, mesmo com aumento de preço, ainda são de 30% a 50% mais baratos do que os similares produzidos no Brasil. Segundo Kuhn, alguns nem são produzidos no Brasil por falta de expertise, de matéria-prima ou porque ninguém se aventura a produzir diante da atual situação cambial.
Em algumas empresas brasileiras, a questão de produção na Ásia virou uma rotina. "Sempre que a empresa lança algum produto novo, é automático mandar a equipe cotar preços na Ásia. Recentemente, cotamos até saco plástico, mas não era mais barato. Tudo estamos vendo se tem mais barato por lá", afirma Gilmar Sprung, presidente da Cativa, indústria de vestuário, de Pomerode (SC).
A Cativa começou a importação da Ásia em 2004. Trazia da China insumos como pedra de strass, botões, zíperes e cadarços. Ao longo do tempo incrementou a rede de fornecedores e também chegou à Indonésia, de onde passou a trazer fios mistos de poliéster e viscose ou só viscose. Somados aos fios e aos aviamentos, a empresa resolveu recentemente trazer a produção pronta de Bangladesh, Paquistão e também da China. Hoje, a produção de confeccionados já acabados na Ásia pela Cativa representa cerca de 5% da produção e Sprung pretende incrementar essa relação para 20% do faturamento até 2010. Os produtos são basicamente vendidos em sua totalidade no mercado nacional, onde a Cativa mantém 95% do seu faturamento.
A estratégia de aprofundar as relações comerciais com a Ásia envolvem não só o setor de vestuário, os mais afetados no mercado interno pela competição de preços com os importados. Ela avança entre as empresas de cama, mesa e banho.
A Teka, que começou suas operações de compra de produtos na Ásia há cinco anos pela China, Índia e Paquistão, agora estuda importações de Bangladesh, Vietnã e Camboja. "Os custos na China estão subindo. Este ano, em média, aumentaram 13% por conta do corte de incentivos para produtores chineses, aumento da mão-de-obra e sua regulamentação, além da alta do preço do algodão, comprado principalmente da Índia. Por conta disso, a Teka começa a olhar outros países", explica Marcello Stewers, diretor de exportação e de relações com investidores.
A Teka, no fim de 2006, incrementou sua relação com a Ásia. Até então, as compras da empresa na Ásia eram feitas apenas pela Teka Europa, uma subsidiária localizada na Alemanha, para venda de artigos na própria Alemanha. Segundo Stewers, além de produtos acabados como toalha de fibra natural de bambu, de alto valor agregado, e roupões, a empresa agora compra insumos na Ásia como percais variados. Stewers explica que, por exemplo, o percal 300 fios, que faz parte da nova coleção no Brasil, vem da Ásia. "Antes, o percal 300 fios não existia na coleção e o 200 fios era produzido na Teka Brasil. Produzimos hoje na Ásia porque o custo é menor e a qualidade está excelente."
Para se ter idéia da importância que as operação na Ásia estão ganhando no faturamento da Teka, em janeiro de 2007 os produtos importados representavam 4% da receita, no fim do ano já atingiram 6%. A expectativa é chegar a 8% no fim de 2008 e atingir 15% no fim de 2009.
Vietnã, Camboja e Bangladesh serão visitados por Stewers no segundo semestre. "Já mandamos uma equipe para lá. Agora começamos um trabalho que pode demorar até um ano para identificar o fornecedor com qualidade e quem entrega no prazo. Será um trabalho técnico. É o processo mais demorado porque tenho de explicar o tipo da trama, o tipo do produto e a qualidade que queremos. Farei em Bangladesh o que fizemos na China."
Na indústria de cama, mesa e banho Lepper, localizada em Joinville (SC), a busca de fornecedores asiáticos, antes restrita a insumos, está avançando para itens pré-acabados, complementares à sua linha de produtos. Maria Regina Loyola Alves, vice-presidente da empresa, prefere não revelar quais os pré-acabados importados, mas diz que serão na área de felpudos, segmento que é o carro-chefe da companhia, com 66,6% de participação na receita. A idéia é importar ainda em 2008 para abastecer o mercado interno, principal foco de vendas da empresa.
Segundo Maria Regina, essa importação será de produtos que a fábrica no Brasil não teria condições técnicas de produzir. "Para esses itens, eu teria que modificar o parque fabril, seria mais custoso do que a importação de um terceiro, que já tem parque fabril adequado e conhecimento", explica.
A Lepper começou em 2007 com a importação de fios da Índia e tecidos do Paquistão. No caso dessa empresa, os produtos pré-acabados estão sendo negociados com produtores da China. Maria Regina diz que ainda não está previsto o percentual do faturamento da empresa que virá da produção feita na Ásia.
Na Buettner, as importações da Ásia, principalmente China e Índia, ocorrem em fios de algodão, corantes e até mesmo peças para manutenção das máquinas. Até fios 100% algodão, que antes eram na sua totalidade adquiridos no Brasil, passaram a vir de fora, além de trazer misturas como fios de algodão com poliéster e algodão com bambu.
O incremento das importações no segundo semestre de 2008 deverá ser muito forte em relação ao mesmo período do ano anterior: cerca de 200%, segundo João Henrique Marchewsky, presidente da empresa. A Buettner não chegará a substituir todos os fornecedores nacionais, mas os asiáticos chegarão a 30% do total.
Marchewsky diz que já fez estudos para importação de produto acabado da Ásia. "Mas para a Buettner esse recurso não dá certo porque trabalhamos com nichos e produtos diferenciados. Como não temos grandes volumes, o negócio acaba não sendo rentável". No entanto, ele passou a estudar a compra de semi-acabados, para finalização no Brasil, principalmente no segmento de cama, para venda no mercado brasileiro. "Ainda não decidimos. Mas já sabemos que do fio mais simples até percal 200 fios não vale a pena trazer, só fios mais sofisticados." A análise da Buettner envolve não só a China, mas também Paquistão. "Se não importarmos, ficamos fora do custo com o qual o mercado está trabalhando para vendas internas."
Fonte: www.intelog.net/site/default.asp?TroncoID=907492&SecaoID=508074&SubsecaoID=715052&Template=../artigosnoticias/user_exibir.asp&ID=283920&Titulo=Importa%E7%E3o%20de%20roupas%20j%E1%20vai%20al%E9m%20da%20China
29/08/2008
17/08/2008
Os Comunistas vestem Prada

A rua Nanjing, no coração de Xangai, é um dos maiores centros do mercado mundial de luxo — do pirata e do original. Nas calçadas, é impossível caminhar sem ser abordado por dezenas de muambeiros oferecendo bagwatch, que no léxico local significa bolsas e relógios falsificados das mais famosas marcas do mundo. Num domingo de sol, as calçadas estão cheias de gente. Há até mesmo excursões vindas de regiões remotas da China para conhecer a rua Nanjing. O movimento faz esse tão famoso centro de lojas de luxo se parecer com uma versão melhorada da rua 25 de Março, meca do consumo de baixa renda em São Paulo. Basta entrar no Plaza 66, porém, para mudar de ares. Esse é o maior shopping de luxo da China e um dos maiores do mundo. Um sexteto de cordas e seguranças de luvas brancas dão certo tom de refinamento ao lugar. As ambições do shopping são notórias. Uma das maiores lojas da Louis Vuitton no mundo foi construída aqui e mais de 100 outras marcas européias e americanas estão representadas. Mas, em pleno domingo à tarde, o Plaza 66 está tão movimentado quanto um aeroporto de madrugada. As vendedoras bocejam de tédio — com toda a classe, é claro. O mercado de luxo cresce 30% ao ano na China, e as vendas foram de 6 bilhões de dólares em 2007. Mas o shopping-símbolo desse fenômeno está às moscas.
Duas razões explicam esse paradoxo. A primeira é um descompasso entre a oferta de itens de luxo e a procura. Nos últimos anos, as maiores marcas do mundo transformaram a China em prioridade máxima. A francesa Louis Vuitton inaugura três lojas por ano na China. São 19 no total. A italiana Ferrari tem 12 concessionárias. Cartier, Rolex, Prada, Rolls-Royce — todas querem aproveitar o espantoso crescimento na renda chinesa. Hoje, há na China 345 000 milionários. A classe média, um dos motores do crescimento das vendas de itens como bolsas e relógios, é estimada por alguns analistas em 300 milhões de pessoas. Outros a calculam em 75 milhões. De qualquer forma, é muita gente. E as perspectivas de aumento dessa base de clientes são apetitosas. O número de milionários deve dobrar nos próximos três anos. E a quantidade de famílias com renda entre 100 000 e 1 milhão de dólares deve crescer 20% ao ano. O banco americano Goldman Sachs prevê que o mercado de luxo chinês se tornará o maior do mundo em 2015. Com essas previsões em mãos, os executivos das mais sofisticadas marcas do mundo se instalaram correndo na China — mas o fizeram com excesso de velocidade. Com lojas demais e consumidores de menos, é praticamente impossível lucrar. Segundo estimativas do Boston Consulting Group, apenas uma em cada dez marcas dá dinheiro na China.
O outro motivo para as lojas vazias é o habito do consumidor chinês – ele prefere comprar fora do país. Como as taxas para importação de artigos de luxo são altíssimas na China continental, o mesmo produto pode custar 35% mais barato em Hong Kong. No país da pirataria, comprar fora também significa dirimir quaisquer dúvidas sobre a origem do produto. Ter uma loja em Xangai ou em Pequim acaba se tornando uma estratégia de marketing para as grandes marcas, já que é nessas vitrines que o consumidor escolhe o produto que vai comprar – quando viajar. A assistente de comércio exterior Elva Wang, de 25 anos, economiza há quatro meses metade do salário para comprar uma bolsa da italiana Gucci. A data está marcada: em junho, uma amiga irá para a Europa com uma lista de encomendas, a sua incluída. Em maio, Elva pediu um adiantamento do mês inteiro de salário (cerca de 3 500 yuans, ou 900 reais) para completar o valor. “Todas as amigas têm bolsas de uma das marcas top”, diz ela. “Eu faço qualquer sacrifício para ter a minha também.” Metade dos consumidores chineses compra seus artigos de luxo fora do país, como Elva.
Nesse mercado tão competitivo, quem se dá bem são as marcas mais famosas. O consumidor de artigos de luxo chinês é movido por um forte traço de novo-riquismo. Marcas consideradas sinais óbvios de status são suas favoritas. A Louis Vuitton, que tem bolsas facilmente identificáveis, é um caso de sucesso. Todas as suas lojas no país dão lucro. A Rolls-Royce transformou a China numa festa: as vendas crescem 50%ao ano, e o país é hoje o terceiro maior mercado para a marca, depois de Estados Unidos e Grã-Bretanha. A Rolls-Royce planeja vender 170 carros no país em 2008. O preço médio? 800 000 dólares. “Os chineses querem comprovar sua ascensão social pelo que vestem e dirigem”, diz Nick Debnam, especialistas em bens de consumo da consultoria KPMG na China. “Detalhes considerados ridículos no exterior, como logotipos chamativos e carros extravagantes, são exatamente aquilo que o consumidor local quer.” É assim no comunismo chinês. Quando menos igualitário, melhor.
Fonte: Revista Exame nº11 18/06/08.
10/08/2008
Moda chinesa faz colagem de estilos e abusa nas cores
Cores fortes, cabelos tingidos, mistura de estampas e tecidos. A moda das ruas nas principais cidades da China é uma verdadeira colagem de estilos,capaz de mesclar referências diversas em um só visual. O contraste do look ousado e chamativo com a vestimenta tradicional é freqüente e reflete as inúmeras contradições vividas pela sociedade chinesa."Os jovens chineses mais ocidentalizados se vestem como os coreanos e os japoneses. O cabelo tem penteados bem diferentes, moicano, um corte transversal, franjas. As roupas chocam bastante nas cores", conta a historiadora brasileira Lauren Fraiz, que vive em Pequim.
Fonte: http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL397563-15516,00-MODA+CHINESA+FAZ+COLAGEM+DE+ESTILOS+E+ABUSA+NAS+CORES.html acessado em 10/08/08.
Assinar:
Comentários (Atom)
